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Alma espanhola I

09/03/2018

NOTA– Você vai ler um comentário independente, sem enganos, sem mentiras. Se Você entender que não deva prosseguir com sua leitura, delete-o. Nunca suporte o que não gosta. Se não ler, vai perder a oportunidade de conhecer a verdade.

 

 

Tem uma tradição espanhola: “Inscreva suas inimizades para a eternidade”.

É muito difícil transmitir a alma espanhola, seu arraigado amor à família, aos amigos. O espanhol não admite traição. Mata o inimigo dentro de si.

Vez por outra, alguém quer torcer meus pensamentos a respeito de um cidadão do qual, por ter divergido dele, de uma afirmativa mentirosa sobre colibris, a forma como o pássaro se alimentava, quer fazê-lo de santo!

Outro dia, visitando um senhor, que queria me mostrar um trabalho de sua autoria, no meio de sua história colocava a figura do mentiroso (felizmente já morto) sem nenhum motivo e, finalmente, pediu  minha opinião, quando questionei aquele apêndice sem que nem pra que, e o sujeito ficou espantado com minha observação.

Disse-lhe, então que não queria falar sobre o assunto, que iria mandar-lhe cópia de um documento publicado na imprensa capixaba (jornal A TRIBUNA) em 11 de outubro de 1977 que abaixo transcrito. Dizem que a Internet é um negócio para a posteridade. Vamos ver:   

“Irmão de Ruschi faz advertência

Dizendo ser uma advertência aos defensores do “cientista” Augusto Ruschi, e que melhor poderão ver como estão sendo ludibriados em sua boa fé pelo mesmo, circulou ontem, na Assembléia Legislativa, entre alguns deputados, um documento assinado por Alexandre Augusto Ruschi, datado de 5 de outubro, com firma reconhecida em cartório.

No documento, Alexandre Augusto Ruschi diz que “levanto pois a minha voz – o que não poderia deixar de fazê-lo – com a consciência tranqüila de ter narrado aqui fatos verídicos e na maioria por mim assistidos, para que, ao menos amanhã, os seus iludidos fãs não venham promover mais uma campanha em seu favor, qual seja: o de candidata-lo a receber o Prêmio Nobel de Ciência”.

O DOCUMENTO

Eis a íntegra do documento:
Advertência aos defensores do “cientista” Augusto Ruschi, e que melhor poderão ver como estão sendo ludibriados em sua boa fé pelo mesmo.
Antes, porém, quero abrir um parêntese para dizer como este se apoderou do local onde se acha instalado o “Museu de Biologia Dr. Cândido de Mello

Leitão”, em Santa Tereza: - Por morte de meu saudoso pai, José Ruschi, Augusto Ruschi procedeu o inventário do espólio, como advogado que é, sem a menor interferência de nossa mãe e 11 irmãos que éramos, na época; como indivíduo sem escrúpulos que é, deixou a parte onde acha-se localizado hoje o seu Museu para a nossa mãe sozinha, para, logo em seguida, sem termos o menor conhecimento, e aproveitando-se da bondade que é peculiar às mães, adquirir toda a propriedade no maior silêncio, sem a anuência de qualquer filho, iludindo a nossa mãe, pagando-lhe a importância de 50 contos de réis (Cinqüenta), quantia esta que na época representou como se fora um pagamento simbólico.
Nasceu, pois o museu de biologia sob o signo da miséria, que um filho é capaz de fazer com a própria mãe, e não titubeou em dar-lhe o nome do grande cientista que foi, o Dr. Cândido de Mello Leitão, conspurcando desta maneira o nome deste grande brasileiro:
O Governador do E. Santo naquela época, o Dr. Carlos Monteiro Lindenberg, foi a primeira vítima a deixar-se cair nas malhas do “cientista” por certo, em atenção á amizade que tinha pelo nosso irmão já falecido Eurico Aurélio Ruschi dando-lhe os primeiros auxílios, e que hoje estou certo, já recebeu o troco pelos benefícios que lhe prestou; do Dr. Mello Leitão, amigo do Dr. Carlos Lindenberg e por interferência deste, conseguiu a sua colocação no Museu Nacional do Rio de Janeiro, entrando pelas portas dos fundos, sem qualquer concurso, apesar de toda sua propalada sapiência, cargo que até hoje conserva com polpuda remuneração e já em vias de se aposentar, pergunto eu? qual o benefício auferido pela Nação com esse tal Museu que afinal de contas consumiu e ainda continua consumindo o dinheiro da Nação, que afinal é o dinheiro do próprio povo?  Por certo responder-se-á, nenhum; note-se, o “cientista” foi nomeado para o Museu Nacional do Rio de Janeiro, mas lá permaneceu meses apenas, vindo então fundar o Museu Mello Leitão, em Santa Tereza que é de sua propriedade particular, não mais arredando o pé de Sta. Tereza, percebendo os cofres federais, como, pergunto eu? se o Museu é de sua propriedade particular, e, exerce ainda na Cidade de Sta. Tereza a profissão de advogado.
Continuando citar os iludidos pelo “cientista”, vem depois o nosso irmão Eurico Aurélio Ruschi, já falecido, que então exercia o cargo de Prefeito Municipal de Sta. Tereza, onde prestou-lhe, por intermédio da Prefeitura inúmeros benefícios, cedendo-lhe operários, veículos, etc., para instalação do citado Museu; vêm depois o saudoso governador Dr. Jones dos Santos Neves, que foi incansável em prestar auxílio do Estado quer concedendo verbas em dinheiro, quer fornecendo  veículos e pessoal para a construção do Museu, nomeando mesmo a esposa do “cientista” para o cargo de professora normalista, mas não formada pelo nosso Estado, mas sim por Minas Gerais, escusado é dizer que está apenas para disfarçar, lecionou alguns meses no interior, sendo removida logo para o Grupo Escolar de Sta. Tereza, conseguindo uma medida de exceção qual seja, de não completar o tempo normal de lecionar no interior, para depois ter direito de vir para um grupo escolar; mas o canto do “cientista” foi além e mesmo no grupo escolar muitos poucos meses lecionou, vindo a ser posta à disposição do Museu particular do “cientista”, mas recebendo dos cofres do Governo do Estado, situação que permanece até hoje e que não apareceu um governador para somar tal irregularidade, estando já a esposa do “cientista” em vias de aposentar-se; deixo de falar no Governador Punaro Bley, porque este não se deixou levar pelo canto do “cientista” e depois dos demais governadores, acredito que, percebendo a manobra, cortaram a assistência ao “cientista” a não ser como disse, conservando apenas a professora sua esposa à disposição do Museu.
Aí veio o vôo mais alto do “cientista”, conseguiu hipnotizar com os seus beija-flores, o Dr. Juscelino Kubitschek, então Presidente da República fazendo grande amizade com o Dr. Júlio Soares sogro do Dr. Juscelino, que também foi atraído pelos beija-flores do “cientista”. Por intermédio do Dr. Juscelino conseguiu polpudas verbas federais, o Ministério da Fazenda que o diga, por intermédio da Delegacia Fiscal do E. Santo. É voz corrente em Sta. Tereza, que “cientista” para fazer prestação de contas das importâncias recebidas, mandava construtores de sua obras, fornecedores de material, operários, etc., assinar recibos facciosos, que não exprimiam a verdade; mesmo os seus mensalistas assinavam e talvez até hoje assinam o recibo integral aos seus direitos, mas recebem muito menos, assim fala a voz do povo de Sta. Tereza e a voz do povo é a voz de Deus; vem depois o Presidente da República Dr. Jânio Quadros, que já estava nas malhas do “cientista” tendo o Dr. Jânio mandado mesmo para o E. Santo o graduado funcionário do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, Sr. Alceu Magnanini fazer uma visita ao Museu, para ver a viabilidade de um auxílio ao “cientista”, tendo então o mesmo viajado para Brasília, onde foi apresentado ao Dr. Jânio, o negócio já estava engatilhado quando o Dr. Jânio renunciou e o “cientista” perdeu o pulo; daí para cá é excusado dizer que o “cientista” não mais conseguiu verbas, quer da Nação, quer do Estado mas continua recebendo de entidades estrangeiras, pois tais auxílios concedidos podem ser deduzidos do imposto de renda dos contribuintes, assim o “cientista” hoje, tem os seus tentáculos instalados no exterior; veja-se por exemplo: porque o “cientista” não tem em seu poder uma embarcação para estudo científico que recebeu por doação de uma instituição norte-americana, e que desembarcou isenta de qualquer imposto alfandegário, porquanto a mesma se destinava ao seu Museu e por isto recebeu a isenção de tais impostos, não teria a mesma sido vendida a algum magnata amigo do “cientista” uma vez que o mesmo alegava não ter técnicos especializados para usar os aparelhos sofisticados que se achavam instalados em seu bojo, teria sido negociada uma vez que não se acha mais em poder do “cientista”, e neste caso, foi ou não foi lesado o Governo da União, ou em nome da ciência uma transação desta modalidade é permissível, que apurem as autoridades competentes o destino da embarcação.
Nas suas catilinárias publicadas no desinformado “Jornal do Brasil” (isto no que diz respeito do “cientista”) do dia 6-1-977 o “cientista” tem a petulância de afirmar que é o fundador de todas as reservas florestais existentes no E. Santo, desrespeitando a memória de seu irmão Eurico Aurélio Ruschi, que foi quem o amparou logo após terminado o curso de secundário, com um emprego na Prefeitura Municipal de Sta. Tereza, porquanto, era então o prefeito do Municio de Sta. Tereza. Eurico Aurélio Ruschi, quando Secretário da Agricultura do E. Santo, fundou a reserva até hoje existente, denominada de “Barra Seca”, indo ter a seu local várias vezes, e quando do seu término, percorreu a pé toda a extensão de uma linha de 10 quilômetros em plena floresta virgem, indo pernoitar numa barraca improvisada, à tardinha, junto com os operários encarregados de abrir as picadas, e este que aqui escreve, também acompanhou o seu irmão Eurico nesta inspeção.
Dizer que “o Dr. Guti como é carinhosamente chamado pela população de Santa Tereza”, assim disse o “Jornal do Brasil”, é porque, repito este Jornal está completamente desinformado, pois o Dr. Guti, não pode ser “carinhosamente” chamado, porque a maioria da população é pisoteada pela sua arrogância com os humildes, e a resposta recebeu-a desta população em uma ocasião que se candidatou a vereador pelo Município de Santa Tereza não obtendo 30 (trinta) votos, num eleitorado de mais de 6.000 (seis mil eleitores), que carinho.

VAMOS AGORA AO AMAGO DA QUESTÃO

Vejamos como o “cientista” é amante da fauna, flora e meio ambiente, a ponto de dizer nas colunas do “Jornal do Brasil” de 6-1-77, que preferia que lhe tirassem a sua própria vida a tirar a de um pássaro ou de um animal:
Ninguém no Brasil pode exercer a caça profissional mas “cientista” tem este privilégio, caçando em qualquer época e em qualquer parte do país, capturando animais seja onde for, invadindo mesmo propriedades particulares sem o consentimento de seus proprietários, como no caso do contrato que fez em S. Paulo com o Parque Anhembi de povoá-lo com 400 (quatrocentos) colibris, teve que fazer estas incursões em propriedades alheias para capturar o número desejado; deste povoamento, valeu-lhe uma polpuda soma em dinheiro, com passagem aérea livre, paga pela direção do Parque, para qualquer parte do País; para capturar esses colibris, usa de todas as mais sofisticadas armadilhas mesmo as condenadas pela Lei de proteção à Fauna, exercendo mesmo tal atividade em reservas biológicas, quer sejam federais, estaduais ou municipais, pretexto de fins científicos, como? Pergunto eu? Que fim científico é este de vender beija-flores:
Para enriquecer o acervo do seu Museu particular, existe na Cidade de Linhares o Sr. Elias Lorenzutti que exerce a profissão de taxidermista (embalsamador de animais e aves) mantendo em exposição os mesmos, cobrando uma quantia em dinheiro para vê-los, mas tal atividade é expressamente proibida, porém, o “cientista”, junto ao I.B.D.F., conseguiu que o tal taxidermista continue explorando este ramo do negócio proibido por lei, mas com a condição imposta pelo “cientista” de vender-lhe as espécies que for capturando e que mais lhe interessar; fui testemunha de uma dessas compras de animais e aves, pois o convite do “cientista” acompanhei-o numa kombi do I.B.D.F., com motorista e combustível do próprio I.B.D.F., para tratar de negócios atenientes à sua profissão de advogado no Fórum de Conceição da Barra e no cartório do Tabelionato da Cidade de Linhares, onde tratava de uma causa de um seu constituinte, depois de resolver seu assunto no cartório de Linhares, dirigiu-se a residência do tal taxidermista onde comprou, na minha presença, e pegou, um determinado número de animais e pássaros, a ponto de lotar completamente a Kombi e ainda dizendo que os outros animais e aves que lhe tinham sido oferecidos, não lhe interessavam e deixou-os para a exposição do taxidermista, o que é isto? Comércio ou não? – Foram apanhadas recentemente em Linhares, duas (2) onças pintadas, e os seus captores, como manda a Lei, cientificaram o I.B.D.F. pois estas vinham depredando a seu rebanho bovino: - providência do I.B.D.F. – enviou ao local o “cientista” que covardemente abateu uma destas a tiros de revólver, dentro da própria jaula e depois teve o cinismo de dizer em Sta. Tereza, que a havia abatido no meio da estrada de Linhares, por fim enviou-a ao tal taxidermista de Linhares, mas como a sua montagem ficaria muito onerosa , combinou com o taxidermista que poderia montá-la e ficar de posse da mesma pelo período de um (1) ano explorando com entrada paga para vê-la e depois passaria a propriedade do seu Museu, pergunto eu? Isto é um negócio ou não é?, quem é mais criminoso, um caçador amador, que embora transgrida a Lei, caçando fora da época , ou o dono de Museu e seu taxidermista que fazem comércio das aves e animais em qualquer período do ano, seja no tempo que estas aves e animais estejam procriando ou não? deixo para o leitor desta fazer, o seu juízo, pergunto mais: - porque o I.B.D.F. ao ter conhecimento da captura da onça, não providenciou a sua remoção para a Reserva Federal de Zooretânia, que fica apenas 30 (trinta) kilômetros de onde foi a mesma capturada, e não entregá-la ao “cientista” para fins comerciais, uma vez que também se trata de um animal em extinção, só sendo permitido ao seu abate em casos especiais? Mesmo assim, mediante o pagamento de uma taxa de Cr$ 1.000,00 (hum mil cruzeiros), por certo o “cientista” pagou, porque convinha muito mais a ele ter a mesma montada em seu museu do que dar-lhe a liberdade, que amor a fauna.
De todos os lugares onde instalou os seus famosos viveiros de beija-flores, alegando que viveriam, bem em cativeiro, não sei de notícias de um ao menos, que estas avezinhas tenham sobrevivido; ainda há poucos dias li pela imprensa (Jornal do Brasil) em um suelto em que diz que os beija-flores colocados nas dependências do Congresso Nacional pelo “cientista” foram cassados, isto é todos morreram, então porque sacrificar inutilmente estas aves tão mimosas e belas, será em benefício da ciência? Ou não será um crime? talvez não, porque, o seu autor foi o celebre “cientista”, e então os seus fãs que se reúnam e procurem junto ao órgão competente, neste caso o I.B.D.F. para condecorar o “cientista” por estes belos gestos de proteger a fauna.
Se um pobre no interior tem em seu quintal ou na varanda um animal ou pássaro o “cientista” manda imediatamente retirá-lo e se for de interesse do seu comércio, será recolhido ao Museu, onde vivem maltratados, em lugares impróprios e é raro o dia em que um desses pássaros ou animais não venha  morrer de inanição, o que é isto? Deixar um animal morrer em cativeiro por maus tratos? Não é um crime?Cito agora fatos que se passaram comigo e o “cientista”:
Fomos por várias vezes caçar a convite do saudoso Manuel Vivacqua, na região norte do E. Santo, e de uma feita estava eu junto com “cientista” quando encontramos em plena floresta uma fêmea de barbado (espécie de macaco muito grande) a qual conduzia em suas costas um filhote, o nosso “cientista” achou uma bela oportunidade de capturar o filhote, mas disse-lhe eu ser impossível pois só abatendo a mãe, o que seria uma barbaridade, pois bem, o, nosso “cientista” não titubeou e com um tiro certeiro abateu a fêmea e ao cair morta o seu filho ainda se amamentou na mãe morta; que quadro horripilante e bárbaro o amante da fauna fez-me presenciar. Levou o filhote para o acampamento: é desnecessário dizer que após poucos meses o filhote veio a falecer pelos “bons tratos” que recebeu, de outra feita era nosso companheiro de caçada, além do cientista, certa pessoa que deixo de citar o seu nome para não vê-la envolvida neste “mar de lama”, por ocupar alto posto na Secretaria da Agricultura do atual Estado do Rio de Janeiro, quando o “cientista” caçando nas matas do córrego de Cupido, nas cercanias da Zooretânia, encontrou uma “fojo” (espécie de um buraco profundo aberto no solo) feito por algum caboclo da região para apresar algum animal, uma corça viva, em vez de dar-lhe a liberdade preferiu abatê-la a tiros e levá-la ao acampamento, como se tivesse cometido um ato de bravura; que julguem o feito do “cientista”, amante da natureza, os seus admiradores, por este gesto; milhares de beija-flores foram abatidos pelo “cientista” para fins comerciais, colocando-os montados como se estivessem vivos, em vitrines pequenas confeccionadas em madeira de jacarandá e vidro de cristal bisoutado (obra prima de arte) tendo mesmo para isto, dois (2) carpinteiros para a confecção das mesmas, e, dois (2) taxidermista para a montagem dos beija-flores; as pessoas de grande influência eram presenteadas pelo “cientista” com estas vitrines, mas o grosso do comércio, era feito com as casas de “Souvenirs” raros, que pagavam preço altíssimo pelo trabalho do “cientista”, isto tudo por amor a “FAUNA”? O “cientista” diz por intermédio do “Jornal do Brasil” de 6-1-77, 2º. caderno, 1ª pág. que foi abatida há poucos tempos, nas matas reserva da Vale do Rio Doce, uma harpia – maior gavião da América do Sul – espécime já em extinção, perguntou eu: e, as que o “cientista” tem abatido, porque não deixa-las procriar em liberdade; vejamos: - o “cientista” tem a memória fraca, pois deveria lembrar-se que em certa ocasião numa das excursões que fazíamos juntos foi-lhe ofertado uma desta “HARPIA” que estava aprisionada, isto nas cercanias da Zooretânia, no lugar denominado “Córrego do Juncado”, afluente do “Córrego do Cupido”, sendo que este banha grande parte de “Zooretânia”, justamente onde teríamos que deixar a estrada de rodagem principal, para entrarmos na estrada secundária que iria ter ao lugar onde abarracaríamos, era morador neste local (entroncamento da estrada) um tal Gervásio, onde achava-se a “Harpia” aprisionada, aceitando a oferta e em vez de dar-lhe a liberdade, como deveria ser, por tratar-se de um espécime raro, e, ainda mais, por achar-se a menos de um (1) kilômetro da reserva florestal da “Zooretânia”, pediu que a conservasse presa, porque na volta da excursão a apanharia, como apanhou, levando-o para Santa Tereza, destino: morte por maus tratos, e, hoje, montada numa das vitrines – exposição do seu Museu; belo gesto. Bem isto é um privilégio que inexplicavelmente o I.B.D.F. concede ao “cientista”, porque? Em todo caso, a tal “Harpia” deve ter sido abatida por algum caboclo ignorando o mal que estava cometendo, e talvez mesmo para servir de alimentação para si e seus filhos, o que é muito comum entre a pobreza naquela região, mas a que foi sacrificada pelo “cientista” teria justificativa, que respondam os seus fãs. Numa propriedade minha, há anos passados, depois de uma derrubada que fiz em plena mata virgem, no Norte do E. Santo, e ter feito a queimada, esta foi completamente tomada pela vegetação denominada “caruru”, de duração efêmera, isto é, nasce, cresce e em seguida frutifica; amadurecendo os seus frutos logo a seguir morre, isto num ciclo não maior de 6 (seis) meses; ao amadurecer os seus frutos, como por encanto aparecem pássaros de toda espécie para se alimentarem dos mesmos; foi quando apareceu um pássaro raríssimo, que segundo o “cientista” chama-se “crajoá”, confesso que sou um grande conhecedor da fauna do E. Santo, dando ao meu “hob by” de caçador amador, devidamente filiado a um clube de caça, segundo as exigências do I.B.D.F. para poder exercer tal atividade, mas nunca tinha visto tal pássaro, por sinal de uma beleza incomparável, pois bem, o “cientista” sabedor que eu teria feito a derrubada e a queimada, interessou-se em saber quando os frutos do “caruru” estariam maduros, e assim que amadureceram dirigiu-se até lá, onde conseguiu ver o tal “crajoá”, e, depois de sete (7) dias de perseguição. Juntamente com um seu ajudante, conseguiu capturá-lo, mas pelo processo proibido por Lei o do “visgo”; durou poucos dias o “crajoá” e hoje encontra-se em uma das vitrines do Museu pergunto eu, o crime que o “cientista” cometeu é ou não é pior do que aquele que o indivíduo por certo ignorante abateu a Harpia? Respondam os seus iludidos fãs.
O MICO LEÃO é um animal em extinção, sendo terminantemente proibida a sua captura em qualquer parte do Território Nacional (é sabido que hoje só se encontra em uma pequena região do Estado do Rio de Janeiro), seja para que fim for, pois bem, o “cientista” há tempos capturou dois (2), exemplares; não tenho conhecimento se ainda vivem, mas acredito que já tiveram o fim que a maioria dos animais que aprisiona: a morte por inanição em face dos “bons” tratos que dispensa aos mesmos. Pergunto eu, e com isto o que lucra a CIÊNCIA?
Já falei como o “cientista” defende a fauna (poderia citar mais uma infinidade de fatos, mas vamos ficar por aqui), agora serei breve em mostrar alguns exemplos da maneira como procede em defesa da flora.
Fui proprietário de um terreno confrontando com a propriedade em que o “cientista” diz ser dos “Amigos do Museu Nacional”, no lugar Santa Lúcia (os terrenos dos Amigos, do Museu Nacional (sic), ficam à margem direita do Rio Timbui e os que a mim pertenceram ficam justamente na margem esquerda) e como esta se ressentia da falta de uma casa para abrigar o vigia que o “cientista” pretendia colocar na referida área, consenti a seu pedido, que o vigia fosse morar em uma casa de minha propriedade, onde o tal vigia permaneceu por longos anos, mas o “cientista” além de ter eu consentido graciosamente a permanência do seu vigia, não se satisfez só com isto, exerceu no meu terreno – onde a maioria é mata virgem semelhante a dos “Amigos do Museu” – uma ação predatória da flora nela existente, a ponto de “surrupiar” da mesma, só de bromélias que por sinal lindíssimas – aproximadamente 400 (quatrocentos) exemplares, transportando-os para o seu Museu em Santa Tereza e que ainda hoje deve existir parte dessa bromélias, digo parte, porque muitas pessoas graúdas extasiadas com a sua beleza demonstravam interesse em obter um exemplar, eram obsequiadas pelo “cientista” mas, se fosse pessoas de pequenas posses, muito embora tivessem feito inúmeros favores ao “cientista”, ao demonstrar interesse em possuir um exemplar das mesmas a sua pretensão seria frustrada pelo “cientista”, este sempre foi a seu LEMA, e continua sendo, dar atenção só aos grandes; as orquídeas existentes na área, em sua totalidade tiveram o mesmo destino das bromélias querem saber o porque da remoção desta vegetação do seu “Habita” natural para o seu Museu: valorizar o seu patrimônio. Muito embora estivesse depredando propriedade alheia; assim é, que, vendo a minha propriedade sendo delapidada aos poucos, fiz a advertência seguinte ao “cientista”: ou você adquire de uma vez a minha propriedade ou eu a vendo ao primeiro comprador que aparecer. Foi quando então a adquiriu.
Como de início disse, muitas foram as vítimas de ingratidão, do “cientista” e quando a mim pago que tive, em colaborar para tirá-lo de Santa Tereza para fazer o Curso Secundário – caso contrário hoje seria um interiorano qualquer (o que seria preferível a ser o que é hoje) já o tive também, e que deixo de narrá-lo aqui (mas se os seus fãs quiserem saber, os farei sabedores pessoalmente). Porque é até inacreditável que um irmão tenha tido a coragem de proceder com outro irmão em defesa da sua tão propalada natureza, como fez comigo.
Levanto pois a minha voz – o que não poderia deixar de fazê-lo – com a consciência tranqüila de ter narrado aqui fatos verídicos, e na sua maioria por mim assistidos, para que ao menos amanhã, os seus iludidos fãs, não venham promover mais uma campanha em seu favor. Qual seja: o de candidatá-lo a receber o “prêmio Nobel” da ciência, pelos seus grandes feitos.
Em respeito de saber dizer somente a verdade, da qual face o meu apanágio, assino esta.

Vitória, 5 de outubro de 1977

Alexandre Augusto Ruschi.”

 


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