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Reminiscências III

01/04/2019

 

Nasci durante o chamado ‘Regime do Estado Novo”, em 1931, na cidade de São Mateus, sendo meu pai, Octávio José de Mendonça (de descendência espanhola), e minha mãe, Anna Almeida Santos de Mendonça, de descendência portuguesa.

Meu pai, deu com os costados em São Mateus a convite do irmão de um homem que tornou-se seu grande amigo, Fernando Duarte, que o apresentou a Cassiano Duarte, que gerenciava a Estrada de Ferro São Mateus a Nova Venécia.

Casando-se com minha mãe, seu pai de criação foi o “coronel” Constantino Cunha, que deu de presente a meu pai uma tipografia completa, adquirida no Rio de Janeiro, quando surgiu o jornal criado por meu pai, em 1930, Kodak (fotografia, em alemão) que foi substituído por O Norte, em virtude de reclamação sofrida pela empresa alemã, existente até hoje.

O Norte existiu até 1947. Como meu pai era contra o sistema ditatorial sob o comando de Getúlio Vargas, foi preso como comunista, porque escreveu um artigo contra o governo cobrando a forma estúpida de se cobrar imposto territorial rural, que ocasionou a morte, por enforcamento, de Manoel Justino, um pobre agricultor, que teve seu único cavalo de carga apreendido pelo fiscal Archimimo Motta, com uma carga de bananas, vendido em hasta pública, para pagar o imposto devido. “O governo central ignora o que se passa no interior do Brasil, onde o pobre come mamão com farinha. Mamão, porque o mamoeiro nasce atoa; farinha, quando Deus dá...”

Entendeu o DIP-Departamento de Imprensa e Propaganda do governo ditatorial, um dos mais, ou o mais infames da história do Brasil, entendeu que o artigo era uma ofensa ao ditador Getúlio Vargas, e foi assim que meu pai foi preso e, após ser libertado, contrariado, vendeu tudo que tinha em São Mateus, de onde saiu, para nunca mais voltar. Em 1945, assumia o governo do Estado, em substituição ao major Joâo Punaro Bley, o mateense Jones dos Santos Neves (que era primo da minha mãe), que devolveu as máquinas tipográficas apreendidas do meu pai.

O episódio é contado para mostrar minha origem de jornalista e da forma direta com que entendo deva se fazer imprensa. Não gosto de coluna social.

Minha mãe, e Jones dos Santos Neves eram descendentes de um mateense impetuoso, Graciano dos Santos Neves, que foi governador do Estado no período de 1896 a 1 a 16 de setembro de 1897, quando renunciou ao governo do Estado. Alegou que estava em férias, foi para São Mateus e, a um emissário que foi alertá-lo de que as férias tinha terminado, informando ao emissário que elegessem outro para seu lugar, que ao Palácio Anchieta não retornaria mais, sendo eleito para sucedê-lo, Constante Gomes Sodré, em 6 de janeiro de 1898. Alí, então, às margens do rio Cricaré, Graciano dos Santos Neves escreveu um livro fantástico, “A Doutrina do Engrossamento”, a arte de puxar o saco, introdução ao fisiologismo, ao empreguismo e à corrupção endêmica que persiste até hoje no Brasil, gerando a indecente curruptela dos homens públicos mais desavergonhados da face da terra.

Outro mateense que abandonou a política enojado com o puxa-saquismo e a pouca vergonha que imperava na política, foi o deputado udenista Arnaldo Bastos, da UDN, ao tempo que existiam alguns homens de vergonha.

 

 

 


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