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Maycon e o po doce.

22/02/2021

 

Não é falta de assunto, mas a política nacional está causando tanto nojo que e, para refrescar a memória do leitor, mudamos para um assunto diametralmente diferente, para que as pessoas sintam que, lá fora da política, um mundo diferente existe.

 

Num final de tarde, quase 18 horas de terça feira, do carnaval que não houve, andando na minha propriedade, me deparei com o empregado José Roberto de Oliveira de cócoras, quase ajoelhado, próximo a um monte de terra, quando lhe perguntei se estava rezando. Levantou-se, ao me ver aproximar, revelou: “Perdi todas minhas chaves”. Admiti que mandasse fazer outras, mas viu que se metera numa grande enrascada.

 

Quando a noite chegou, de longe surgiu um carro, vindo dos lados da destilaria, quando o filho mais novo, Franz, perguntou o que fazíamos ali, com a participação, também, do Celso, quando relatei que o Roberto estava com a cuca quente, porque perdera todas suas chaves. Tirando a mão direita que trazia escondida às costas, Franz levantou uma penca de chaves, perguntando: “São estas? ”. Todas aflições do Roberto tiveram fim ali e a conversa degenerou-se para quem tinha perdido chaves que jamais foram recuperadas e, outras coisas, em episódios interessantes.

 

Quando Guarapari está sem agitação, costumo, no final da tarde, ir ao supermercado fazer compras e trazer o pão, para o lanche. Há muitos anos tinha um empregado alemão, família Franzhous, com o menino caçula, muito vivo, interessante e inteligente para sua idade, uns cinco anos, o Maycon. Chegando na portaria, saltei do carro, retornando rápido, pois não encontrara no bolso as minhas chaves, dentre as quais, a do portão. Vendo minha aflição, aproximou-se o Maycon, com toda sua inocência de seus cinco anos e perguntou: “Vovô, você está procurando o quê? ” Respondi que não encontrava minhas chaves, quando ele puxou a mão que mantinha atrás das costas, perguntando: “É isto que você procura? ”

 

Fiquei aliviado com o achado do menino que fora ensinado pelos pais a me chamarem de avô e, enquanto recebia as chaves, metia a mão no bolso para dar uns trocados ao Maycon, mas ele recusou: “Não precisa não. Você traz um pão doce para mim, daqueles grandes”, quando aquiesci que o faria, correndo ele para dentro de casa, muito contente.

 

No retorno do supermercado, ao abrir o cadeado do portão, o Maycon, há 10 passos de mim, indagou: “Trouxe o pão? ”, afirmei que sim e peguei o embrulho, entregando a ele, que voltou correndo para sua casa.

 

Sábado seguinte, quando ia abrir o portão, para ir ao supermercado, fui advertido pelo Maycon, que estava ali, de sentinela: “Você, traz o pão para mim? ”. Aquiesci para o Maycon que sim e, assim, sucessivamente, no período que a família morou na minha propriedade, Maycon já era um menino bem crescido, invariavelmente ia pegar o pão, no meu retorno, com minha mulher, da padaria, onde nos divertíamos com a figura do garoto que balançou um dia um molho de chaves perguntando se era aquilo que eu estava procurando., sendo presenteado com um pão doce por muito tempo. Saudades do Maycon.

 

Roberto mora na casa onde morava a família Franzhous.

 

 

 


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