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A morte de Cari.

09/04/2021

 

O negócio é sério. Muito sério! Logo cedo, dia 05 de abril de 2021, o filho mais velho, Dan Mendonça, tocou o telefone: “Pai, tudo bem? Cariê morreu, nosso grande amigo”.

 

Sabia que o Cariê (Carlos Fernando Lindenberg Filho) não estava muito bem, quando, num jantar, seu filho, Café (Carlos Fernando Lindenberg Neto), se aproximou para me dar um recado: “Papai quer falar com você”. De pronto disse-lhe que “amanhã” vou vê-lo, quando me interrompeu: “Deixa eu ver como ele está, que horas você pode ir”. Falei com ele que estava à espera e, no dia seguinte o Café me telefonou, que esperasse um pouco, para que seu pai melhorasse, o que aquiesci, com uma resposta: “Estarei aguardando”.

 

Invariavelmente, mandava palmito pupunha para o Cariê, da minha propriedade e, exatamente uma semana antes, Pedrinho, meu motorista, mais meu amigo do que motorista, foi ao cair da noite levar os palmitos para o Cariê, na sua casa, na Ilha do Frade. Ninguém atendeu a campainha. Ele colocou os palmitos em pé, junto à porta de entrada, tirou uma foto com o celular, mandando para mim com um recado: “Deixei os palmitos na porta do Dr. Cariê. Não tinha ninguém em casa”. Vi que estava realmente ocorrendo algo errado com meu velho amigo, e tinha, conforme telefonema do meu filho e, posteriormente do José Lino Sepulcri, que sabia da minha grande amizade por Cariê e, vez por outra participava dos almoços que, de longas datas um grupo formado por Cariê, Américo Buaiz, Chrisógono Teixeira da Cruz e eu nos reuníamos, uma vez por mês, para almoçar. Primeiro foi na cantina do Cangini, na Enseada do Suá, mas, como o barulho era muito grande, da italianada que ali se reunia, fomos para o Hotel Ilha do Boi, até que um dia recebi um telefonema de Luiz Buaiz, irmão do Américo, dando uma notícia muito ruim: “Ei “Maior”, apelido que o velho Alexandre Buaiz me chamava, porque achava meu nome meio difícil. “Fala Lula”. “Américo morreu”. Que história é essa? – Morreu, fruto de uma trombose no estômago. Estava andando cedo na Praia de Camburi, quando passou mal. Não houve jeito”. Choramos via telefone, um pouco e depois no sepultamento.

 

O grupo ficou restrito a eu, Cariê e Chrisógono. Vez por outra apareciam o José Lino, o Arthur Carlos Gerhardt Santos, o meu dileto amigo e primo Eduardo Curry Carneiro e, também, o Jônice Tristão, a quem Chrisógono apelidou de “Rainha da Inglaterra”, porque só falava em Londres e seus negócios de café com os ingleses.

 

Já se vão uns cinco anos, mais ou menos, que, pela manhã recebi uma ligação do Cariê: “Já teve notícia nova? “Chris” (como chamava o Chrisógono) está em coma” – Como? ” E ele me contou que o Chrisógono deve ter sido acometido de um mal súbito, como um enfarto, caíra da cama, com o rosto voltado para o chão e, pela manhã fora encontrado numa poça de sangue. Está em coma até hoje.

 

Por último, veio o anúncio da morte do amigo Cariê, uma das amizades mais importantes que construí na minha vida. A família Lindenberg sabe da nossa amizade, construída através do seu tio, meu protetor Eugênio Pacheco Queiroz. Me faltam argumentos, coragem, sei lá mais o que, para falar da amizade que nos unia. Vou escrever muita coisa ainda a respeito desse raro amigo que, quem conviveu com ele, amava-o, como eu, pela simplicidade que era.

 

Um excelente cronista, além de tudo mais...

 

 

 

 

 

 


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