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Quando os homens eram HOMENS

07/07/2020

 

Convivi, por um largo período de minha vida, servindo, e com profunda amizade e respeito a três dos maiores nomes da política do Espírito Santo: Carlos Fernando Monteiro Lindenberg, Jones dos Santos Neves e Christiano Dias Lopes Filho, que nasceram a um tempo em que os homens eram HOMENS, nas suas atitudes governamentais, como exemplares chefes de família e no trato com inquestionáveis amigos e partidários. Profundamente corretos, honestos.

Quero me referir aqui, especialmente, à figura de Carlos Lindenberg. Sempre falei sobre esse notável brasileiro, filho do Espírito Santo, de forma um tanto ou quanto velada, por ser jornalista em A GAZETA e ele, seu maior acionista, o dono do maior jornal do meu Estado. Hoje, não mais pertencendo aos quadros de A GAZETA, posso falar do Homem Carlos Lindenberg, com mais desenvoltura. Na condição de repórter político era escalado para viajar pelo interior na comitiva do governador Carlos Lindenberg, assistindo, convivendo, com seu relacionamento com o homem interiorano, os produtores rurais, por excelência. A convivência do governador com os produtores rurais era de uma peculiaridade extraordinária, o que não se vê mais na atualidade, porque o homem público, com suas raras exceções, estão metidos em outros “negócios”, na volúpia do empreguismo, abandonando o Estado ao chamando Deus dará, com o interior inteiramente largado à sua própria sorte.

Agora, recente, fui ao interior do município de Santa Teresa, a convite de um amigo, Giovani Elias Goronci, empresário, que está desenvolvendo um projeto grandioso, nos campos do entretenimento e da hotelaria, um negócio de tirar o fôlego, ver que tem quem ainda acredita no futuro, a despeito da má governabilidade. Admirado, deslumbrado mesmo, com a obra do empresário Giovani, perguntei e ele como iria fazer para atrair gente para seu empreendimento, com um largo trecho sem asfalto, apertado, muitas curvas e trato ruim, quando ele, numa impressionante simplicidade respondeu, que, depois de pronto, esperava sensibilizar o governo. Louco... Todo empreendedor brasileiro é louco! Acreditar em Governo?

A dedicação do Sr. Carlos Lindenberg ao homem do campo, à terra, aos empreendedores rurais era um negócio que não se vê mais, porque ele admitia que a grandeza do Estado estava na diversidade interiorana, cada qual com suas peculiaridades regionais, suas culturas, seus empreendimentos, com objetivo de cuidar a terra, dar emprego, fixar o homem ao campo.

As características desenvolvimentistas de Jones e Christiano eram mais para o desenvolvimento industrial, pela localização extraordinária do Estado na costa brasileira, mas não se importavam muito com as pressões econômicas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, que não permitiam que o Estado saísse do isolamento, continuasse pobre, mas Carlos Lindenberg via a grandeza do Estado, sua redenção, através da agropecuária.

Quero, em todo momento que puder, render minhas homenagens àqueles que nasceram numa época para servir ao Estado, ao Brasil, a seu povo, com determinação, lealdade e honradez. Era um tempo em que os Homens eram HOMENS. No meio político, raros pensam no país, no estado. Pensam mais nos seus próprios bolsos.

 

 

 


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Êxtase fugaz I

06/07/2020

 

É madrugada, 27 de junho de 2020 e, sinceramente, me sentia perturbado com a notícia que me foi transmitida pela minha fiel secretária, Glaucia Kruger, há mais de 30 anos, que me comunicou, via WhatsApp (estava no interior de Santa Teresa, na propriedade de um amigo, Giovani Elias Goronci ) que me informava a morte de sua mãe (Eugenia Schneider Kruger) que, idosa, vinha sofrendo, com seus 96 anos, da maldita doença do esquecimento (Alzheimer).

 

Há uns 15 anos, com o mesmo título, Êxtase Fugaz, escrevi comentário sobre uma mulher que conheci lá no meu São Mateus. D. Ernesta, mãe de um colega de escola, Antonio Carlos. Antes da entrada na escola, do Padre Guilherme Schmitz, o Ginásio Brasil, passava na casa do amigo, para irmos juntos mas, na verdade, o interesse do menino era na beleza da mãe do colega, logo cedo, vestida com um penhoar (robe), se movimentando entre a cozinha e a sala, para trazer o café com leite e torradas para seu filho e, eu, de bobo, mesmo tendo tomado café em casa, aceitava o oferecimento com o prazer de ficar mais, apreciando aquela mulher bonita, caminhando daqui pra lá e de lá para cá, mostrando suas pernas até os joelhos, esguias, diáfanas, transparentes.

 

Sem colocar o nome, escrevi uma coluna sobre D. Ernesta, na visão do menino sobre uma mulher elegante, esguia, que, vendo meus olhos penetrantes nela, passava seu dedo indicador de cima abaixo do meu nariz, dizendo: “Olhos azuis”, e dava uma rabanada em direção à cozinha.

 

Saiu a coluna em A GAZETA e, chegando ao escritório minha secretária Glaucia perguntou: “O Sr. Conhece D. Ernesta? Respondi que sim. “Por que? ”, ela ligou, sobre a coluna de hoje e deixou o telefone! ”. Pedi, então que ligasse para a senhora. Do outro lado, a mesma voz, suava, firme, perguntou como eu estava, e os meus, com uma interjeição interessante: “Não sabia que tinha causado uma impressão tão grande em você, uma criança. Quantos anos você tinha? ” Falei que a intenção era fazer uma radiografia da mulher que causara tanta impressão a um garoto, circulando pela casa no seu penhoar de um azul tênue, e que gostaria muito de revê-la.

 

D. Ernesta foi sutil e inteligente. “Olha, tive muito prazer em falar com você. Não vamos nos ver. Não sou mais aquela mulher que impressionou o menino, colega do meu filho. Quero que você guarde na memória a mulher que você conheceu e tem lembrança dela como ela era. Estou velha, feia e pelancuda. Você perderia a visão do passado. Todos nós envelhecemos. Muito obrigada pela lembrança de mim. Embora não citando o meu nome bem como do meu filho, imaginei que era eu, a quem se referiu. Adeus! ”

 

 

 


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