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O perfeito idiota

02/01/2019

 

Vez por outra me vem a memória o ex-prefeito e já desaparecido Pedro Juvenal Machado Ramos, de Guarapari, com quem comecei a me dar na década de 50, na velha UDN. Ele fazia parte do Diretório de sua cidade, e eu no de Vitória, presidido pelo então deputado estadual Eurico Rezende.

Prefeito de Guarapari, Pedro, certa feita me falou que, no Brasil, ser produtor rural era a arte de empobrecer sorrindo... e, poucos anos depois me certifiquei que ele falava a pura verdade.

Você tem a propriedade, mas não tem o domínio sobre ela. Tudo que é sorte de órgãos governamentais, os mais estúpidos, estão prontos para arrancar até seus olhos. Se plantamos eucaliptos, como reflorestamento, não podemos vender a madeira se não passarmos por uma série de exigências do IDAF. Não é só o eucalipto. Qualquer plantio que você faça, quando vai colher, para vender, tem que ser extorquido, pelo maldito “cartório”.

Em todos países do mundo, quem produz não paga impostos, obrigações de qualquer natureza, na chamada primeira operação, agrícola.

A base do desenvolvimento de uma nação, chama-se mercado de bens, serviço e turismo. A indústria produz, mas se não estiver o tino comercial do comerciante para vender, a economia não anda.

Em todo mundo, quem produz, trabalha a terra, tem privilégios, não paga impostos na primeira comercialização, recebe incentivos para trabalhar a terra, se fixar ali.

Na década de 80 assisti a primeira invasão de uma propriedade agrícola no Norte do Estado, na rodovia que liga São Mateus e Nova Venécia. O comando dos invasores era dos padres combonianos, que chefiavam as invasões no Norte. Expulsaram meu tio e a família de casa. Destruíram tudo que encontraram pela frente, inclusive um quarto da propriedade, onde existia intacta a mais impressionante reserva florestal, mantida pelo meu tio Álvaro como uma preciosidade... Depois de saquearem a propriedade e vê-la desapropriada pelo governo de José Sarney, abandonaram tudo, simplesmente porque não tinha nada mais para pilhar. Os “beneficiados” com a desapropriação venderam tudo e foram embora. Só queriam pilhar o que encontraram pela frente, a madeira, mais exatamente.

Bolsonaro vem aí! É a nova cantiga que entoam os proprietários rurais que vivem sob ameaça de invasão. Como tem vigarista nesta nação, bandidos e mais bandos de safados. Velhacos da pior espécie, querendo se locupletar às custas do produtor rural.

Hoje, contesto Pedro Juvenal Machado Ramos. Ser produtor rural no Brasil, não é a arte de empobrecer sorrindo, como dizia, mas é a arte de ser um perfeito idiota. 

 

 

 


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Mataram o "Italiano"

01/01/2019

 

As vezes somos acometidos por um estado de perplexidade, com as notícias que chegam com uma rapidez fantástica, segundos depois dos acontecimentos.

 

Um dia depois do feriado natalino, após as 16horas, quando uma chuva fina começava a cair sobre a cidade, vinha a informação, através do celular, do assassinato do ex-governador Gerson Camata, aquele jovem que veio do interior, Castelo,ES, para a cidade grande, para ser locutor da Rádio Vitória, do Grupo Associados, sob o comando do então jornalista e deputado federal, João Calmon.

 

Empurrado por um programa radiofônico, “Ronda da Cidade”, Camata foi eleito vereador de Vitória, elegeu-se deputado estadual, foi deputado federal, governador e, depois senador, por três mandatos. Afável, disputava com o Chrisógono Teixeira da Cruz, empresário e amigo, quem era o mais “pão duro”. Pagar almoço? Cafezinho? Ambos não metiam a mão no bolso. Conhecido carinhosamente pelos mais próximos como “Italiano”, pela sua descendência, realizou um dos mais importantes trabalhos na construção de rodovias no Norte do Estado, por ser conhecedor das carências da região.

 

Como deputado federal, Arena para o PMDB, teve posição radical contra o regime militar, na ocasião. Com a abertura democrática, foi o primeiro governador do Estado a se eleger pelo voto direto mas, teve um agravante, enfrentar o presidente João Figueiredo (de quem era crítico), que o ignorou, a não ser que fizesse um formal pedido público, de desculpas, pelas besteiras que levantava sobre o Movimento Militar de 64.

 

Num gesto de grandeza, diz que em “favor do Espírito Santo, pediu uma audiência ao presidente da República onde, publicamente, pediu desculpas pelos seus pronunciamentos. Figueiredo, prontamente perdoou-o e ajudou ao Estado, com os pedidos de Camata, que realizou uma administração de sucesso e conservou a amizade com Figueiredo, até seu desaparecimento.

 

Com um cacoete de conversar enrolando uma mecha de cabelo do lado esquerdo da cabeça, Camata era um formidável contador de causos ocorridos na sua administração, principalmente com relação aos mais estranhos pedidos que recebia dos velhos italianos interioranos, reme- dando-lhes até o sotaque.

 

A metade do seu último mandato de senador, deu uma espécie de “encolhida” nas suas atividades, talvez prevendo realmente se refugiar em sua casa, na Ilha do Frade, onde residiu por todo tempo, até que tiraram-lhe sua vida de forma abrupta, estúpida.

 

Creiam, Camata deixa um profundo vazio em minha vida. Gostava mais do “Italiano” do que ele podia imaginar. De vez em quando ligava para mim, para comentar meus escritos: “Alemão, você hoje está bravo! ”

 

Infelizmente, Gerson Camata não ficou livre da bestialidade humana. Não merecia tal fim.

 

 

FONTE: JORNAL A GAZETA

 


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