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Armazém de mentira

22/09/2018

 

 

 

Minha mãe dizia: “Meu filho, nada melhor para nos ensinar, do que o tempo. Finja que não está vendo ele passar. Ele é inexorável, não tem retorno, mas nos dá boas lições...”

 

Estamos diante das eleições mais confusas da nossa história e, a parte principal, que deveria estar atuando para esclarecer a população, aos que vão votar, principalmente, buscam através dos mais incríveis subterfúgios, enganar, embrulhar a confiança do eleitor, através do rádio e da TV, informando o que é impossível acontecer, como, por exemplo, o candidato que está na rabada, com um quarto da preferência eleitoral de quem está em primeiro lugar, como um passe de mágica, só porque tem o apoio de um presidiário, como Lula, merecida e tardiamente preso, passar para o primeiro lugar!

 

No meio dessa trapaça toda, a poder de uma formidável montanha de dinheiro, variados institutos dão conta de que o “professor” Lula tem 36% de preferência eleitoral no território nacional. Mas dizem que ele tem 85% de rejeição!

 

Vejam a fertilidade da adivinhação. Qualquer jovem principiante na vida, que venha ter um colega, um amigo, preso por roubo, em processo julgado a rejulgado, negados recursos por 17 vezes pelas mais altas cortes de justiça, votaria para que ele fosse solto para vender pipocas no último carrinho, de propriedade de sua genitora?

 

Como uma sociedade esbulhada nos seus mais comezinhos princípios de tolerância e honestidade pode acreditar num homem público condenado por corrupção?

 

Estou fora de órbita. Não sei como nossa imprensa entra num jogo sujo de tal ordem, onde o negócio é tão absurdo como estabelecer-se uma linha comercial em voos regulares para passar férias em Marte! É possível entender-se tal conto do vigário?

 

O que me impressiona, realmente, não é a pobreza do povo brasileiro. Nem todo povo, nem toda nação, nasceu para ser rica, mas a burrice é um dos mais graves fatores da existência da pobreza de uma sociedade.

 

Está claro, claríssimo, temos que reformar o Brasil urgentemente, todos os setores. Não podemos continuar com a Justiça que temos, com o sistema político, essa corja de ladrões delapidando o patrimônio público; a mais maldita burocracia da face da terra e o mais indecente sistema financeiro.

 

Não tenho condições de ser mais claro do que o meu português dá, muito embora seja razoavelmente bom em espanhol.

 

Alguém tem que salvar o pais dessa formidável corja que aterroriza a sociedade, mesmo, com o rabo preso no Lava Jato, só o senhor Jair Bolsonaro, se atreve a prometer tal façanha.

 

Só nos resta ver o tempo passar e acreditar no senhor Bolsonaro, se deixarem...

 

 

 


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Pretensos suicidas

21/09/2018

 

 

 

Sempre, quando escrevo, falo no meu pai. Não conheci, até ontem, sujeito mais inteligente e divertido em toda minha existência. Certa feita, um tal de cabo sobrinho, um militar de maus bofes que vivia cometendo toda sorte de arbitrariedades em São Mateus, minha terra, matou de forma estúpida um jovem, Aldano que, passando a cavalo na rua dr. Moscoso, onde morávamos. Pela manhã, chovia, e o vento deu na capa que cobria o militar, fazendo com que uma ponta dela batesse no pé do jovem à cavalo, que passava próximo à calçada.

 

Incontinente, o jovem Aldano se curvou e pediu desculpas ao militar, pela ação do vento (não dele), fazendo com que a capa do militar roçasse na sua bota.

 

- Desculpa o que, seu idiota! “Desferindo um tiro mortal no peito do jovem.”

 

No dia seguinte, meu pai publicava em seu jornal, O Norte, um comentário sobre o bárbaro crime, chamando a atenção das autoridades, para que detivessem aquele monstro que estava cometendo arbitrariedade no município.

 

No mesmo dia o respeitável senhor Manoel Peçanha, dono do Bar Peçanha, passou para alertar meu pai, que o cabo Sobrinho andava alardeando que iria matá-lo. Meu pai agradeceu ao amigo a informação, mas segredou-lhe: “Peçanha, essa gente que alardeia muito que vai matar, é para intimidar. Quem tem cu, Peçanha, tem medo de morrer. Deixa ele comigo...”

 

Pela tarde, minha avó, Itelina, veio pelos fundos da nossa casa avisar a meu pai que o cabo Sobrinho vinha em direção às oficinas do jornal, que ficava numa chácara ao lado da casa da minha avó e do tabelião Arnaldo Bastos.

 

Abrindo a parte superior da janela, meu pai viu o cabo Sobrinho marchando sobre as oficinas, onde ficava a tipografia, deixando a porta só no trinco. Quando o Sol projetou a figura do cabo Sobrinho por debaixo da porta, de surpresa, meu pai escancarou a porta na cara dele e apontou-lhe um Colt que deveria ter uns trinta centímetros de cano, na cara do valentão.

 

De joelhos, se mijando todo, cabo sobrinho, visivelmente embriagado, pediu a meu pai que não o matasse, que tudo era mentira, que ele nunca falara que iria mata-lo...

 

Meu pai gritou com ele: “Dá o fora daqui, seu mijão. Saia da cidade. Tome o primeiro caminhão, ônibus, o que for, mas dá o fora da cidade. Se você não sair, quem irá mata-lo, sou eu.” Nunca mais tivemos notícia do mijão...

 

Outro dia a cidade parou, com a suspensão do trânsito na Terceira Ponte, das 15 às 23 horas, porque um pretenso suicida ficou ali dependurado (sentado na mureta) prometendo se jogar. A turma, à distância, gritava “Pula! Pula!” e até foguete soltaram, mas o promesseiro esperou a namorada chegar de Colatina, para tirá-lo do embaraço.

 

Vem a lembrança do meu pai. “Se você um dia desejar suicidar-se, seja determinado. Não faça presepada. Não avise. Trepe num prédio, bem alto, e se jogue de cabeça, como teu tio Teotônio. O homem precisa ser decidido, até na hora de morrer”.

 

Esses pretensos suicidas não me comovem. O que eles merecem, na verdade, é um empurrãozinho...

 

 

 


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