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Por que a Ford est saindo?

24/01/2021

 

Agora, bem recente, divulgou-se que a Ford, uma das mais antigas corporações industriais do mundo, produtora de automóveis, ônibus, caminhões, tratores, etc. estava encerrando suas atividades no país e, depois, as informações eram complementadas com o fechamento de outras montadoras da mesma empresa em redor do mundo.

 

Não é obrigação da Ford dizer os motivos por que está encerrando suas atividades, ou reduzindo. Trata-se de uma questão de direito do empreendedor que, vendo sua rentabilidade afundar, sai do mercado, como ocorreram com outras fábricas, ao longo da história do automóvel, ressurgindo depois ou indo embora para, sempre.

 

Afinal, o que de verdade existe com a retirada da Ford do mercado? Há uma crise mundial, no campo econômico, de vastas proporções, o que parece o brasileiro não teve a necessária prudência em examinar.

 

Há, no mercado, uma imensa saturação do setor, devido a presença dos chamados veículos usados, ou seminovos, como querem alguns, para não usar o termo pejorativo de “usado”. O número de jovens com desinteresse para tirar ou renovar carteira de motorista decresceu assustadoramente no mundo. A presença do Uber e outros modelos de prestação de serviço e aluguel de veículos para todas finalidades, aumentou, como muita gente com idade avançada preferindo alugar um veículo para se locomover até o trabalho, ao médico ou mesmo para passeio, devido ao custo de manutenção. Ninguém aguenta o custo de consertar um carro velho.

 

Os carros novos passaram a ser vendidos com uma garantia de cinco anos. Após decorridos cinco anos, com o enfraquecimento do sistema elétrico-eletrônico, a manutenção do veículo passou a custar muito caro. Não se levando em consideração, ainda, a péssima qualidade da mão de obra de autênticos remendões, fazendo os carros irem e voltando as oficinas, por falta de capacitação dos empregados das oficinas.

 

Enquanto o mercado não se ajustar a uma nova realidade, com os carros elétricos entrando em circulação, a Ford entra em compaço de espera, para sentir para onde o mundo caminhará, após o coronavirus.

 

 

 

 

 

 


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A arte de empobrecer sorrindo,

23/01/2021

 

Quando fiz a tolice de ingressar no chamado meio rural, que em setembro próximo vai completar 50 anos, andei por algumas exposições agropecuária em busca de conhecimento, até que em Uberaba, Minas Gerais, estive numa muito especial, com máquinas agrícolas recém lançadas no mercado e, dentre elas, uma máquina de extrair leite, último lançamento da Alfa Laval, empresa holandesa muito especializada no ramo.

 

Um vizinho assistia à operação da ordenhadeira mecânica e falava dos seus excelentes resultados, informando que adquirira uma, quando então começamos a conversar e me contou que era proprietário rural em Jesuânia, acrescentando: “Sabe onde fica”?  Diante do meu desconhecimento, informou que entre São Lourenço e Caxambu que, quando quisesse aparecer, me estendendo seu cartão. Era um médico.

 

O tempo passou e fui um dia dar com os costados em Jesuânia, avisando ao amigo que iria lá, conhecer sua propriedade. Era uma pequena propriedade, distante uns 2 quilômetros do centro da cidade, com 5 alqueires mais ou menos, com uma ordenha mecânica para meia dúzia de vacas de um plantel de 16 cabeças girolando, com produção em torno de 10 a 12 litros por ordenha, quando as minhas guzerás, adquiridas da propriedade do meu amigo Cariê Lindenberg, em Linhares, davam em média 9/10 litros por ordena, a poder de silagem composta, onde tínhamos dois silos com capacidade para 400 toneladas cada, e nunca tivemos condições para encher um. Coisa de principiante, aventureiro, mas sem pedir empréstimo.

 

O médico tinha dois silos com capacidade para 50 toneladas cada, montados verticalmente, construídos encostados a um barranco e eram fáceis de serem enchidos, por cima, onde ficava a picadeira com o material para ser ensilado.

 

Vi na hora a praticidade de suas instalações, operadas apenas por um campeiro, que trabalhava com um radinho ligado numa dessas estações rurais, transmitindo aquelas músicas típicas da roça. A praticidade e as instalações rurais me impressionaram, principalmente a posição do canavial, do Cameron e da área para plantar o milho a ser ensilado. Tudo à mão. Meu negócio agrícola não ia muito bem. Faz parte da vida.

 

No fim da semana seguinte, fui a uma reunião da Cooperativa de Alfredo Chaves, da qual integrava, quando Jacimar, o vice-presidente, homem amável, sério, me chamou à parte: “Dr. Gutman, seu campeiro está colocando água no leite, o que me causou um grande constrangimento, a afirmativa.

 

Chegando à propriedade chamei o Darcy, meu administrador, para conversar. Me diga uma coisa. Quanto o senhor está adicionando de água ao leite? “Pensando que eu estava contente, respondeu: Só 20% patrão”.

 

De volta a Vitória, chamei o sr. Naylo Sarmento Firme, proprietário rural em Cariacica, velho amigo, que avaliava no olho as chamadas pontas de gado que, de vez em quando vendia, porque eu ia mudar de ramo e queria me desfazer de todo gado.  Naylo ficou surpreso, diante do belo plantel, mas após examinar o gado, com um touro Guzerá lindo, adquirido também do amigo Cariê, me deu o valor: R$ 300.000,00 cruzeiros novos. Procurei o Carlos Larica, criador, velho amigo, que as vezes eu comprava gado dele ou ele meu, para ver se queria ficar com todas cabeças, inclusive Fortuna, uma bela vaca leiteira, que o amigo José Teixeira Guimarães tinha dado de presente à minha mulher, no dia do seu aniversário. Larica foi certeiro na oferta: R$ 320.000,00 “ – Está certo, aquiesci, mas ele retrucou. ” Com uma condição, o campeiro vai junto”. É surpreendente como ele ordenha as vacas para irem para o canzil. Chamei o campeiro e falei com ele que o Dr. Carlos Larica iria levar o gado todo, se ele não queria ir junto. Perguntou onde ficava a propriedade, uma bela estância na baixada do rio Santa Maria, na Serra, onde o campeiro daí uma semana foi todo feliz, junto com o gado, numa carreta.

 

Dias depois, atravessando a av. Princesa Isabel, perto de onde o Larica tinha um estacionamento de automóveis, ouço ele gritar: “Gutman, seu sacana, quero falar com você”. Chegando perto, perguntei-lhe; “Sacana por quê? ” – Rapaz, você é muito esperto. Quando vi você me ceder o campeiro, com tanta facilidade, fiquei depois imaginando, o porquê?  Será que foi por que se desfez do gado todo? O cara dorme de madrugada deitado no pé da vaca, com o banquinho de ordenha amarrado na bunda”. Morri de rir com a descoberta do Larica. Dias depois o campeiro me procurou, dizendo que não tinha se dado bem com o Dr. Larica e queria voltar para minha propriedade. Falei que ia entrar com reflorestamento de eucalipto e não tinha lugar para ele. “Seu negócio era dormir no pé da vaca”.

 

E a voz do prefeito de Guarapari e produtor rural, Pedro Juvenal Machado Ramos soava nos meus ouvidos: “No Brasil, ser produtor rural é a arte de empobrecer sorrindo”. E é, realmente.

 

Meus sonhos de ter uma ordenha mecânica morreram ali.

 

 

 

                                                                   


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