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Muito alm do corao.

18/12/2021

 

Era menino, tinha uns seis anos, quando conheci, lá no meu São Mateus, um homem raro, que marcou muito minha formação, o padre Guilherme Schmitz.

 

Certa noite, lá pelas 20 horas, alguém bateu à porta de casa dos meus país, na rua Dr. Moscoso, nº 13, onde do lado esquerdo, morava D. Lucinda, conhecida beata, avó de Nelson, que a garotada chamava de “Corocoxó”, por ter a boca parecida com um peixe, que tem um bico comprido. Ao lado de D. Lucinda, no outro lado de um beco transversal, morava a família do ex-governador Graciano Santos Neves; em frente, o Sr. Aragon, um espanhol de Aragão (aragonês) e, seu vizinho, o Sr. Dingo, pai de Nanci, uma menina bonita, que não dava “confiança” à garotada. Foi nessa “região” da minha rua, que vim ao mundo.

 

Foi nesse arredor, à noite, com as três batidas na porta, meu pai mandou que eu fosse ver quem era.

 

Voltei correndo, para avisar que os visitantes eram o Sr. Albino Morais, coletor de Impostos e um padre. “Padre? O que o Albino está fazendo a esta hora, na minha porta, acompanhado de um padre? Manda o Albino entrar! ”

 

O Sr. Albino entrou e foi direto ao assunto. Mendonça, este é novo pároco da cidade, Guilherme Schmitz, alemão, com certa dificuldade com a língua, então eu disse a ele que você fala e escreve em alemão e ele quer aprender gramatica portuguesa. Falei com ele que você é ateu, mas ele disse que não tem intenção de catequizá-lo, para o catolicismo, e tinha certeza que você não tentaria fazê-lo ateu”. Meu pai riu para ambos...

 

Padre Guilherme ficou sabendo que meu pai falava e escrevia em alemão, e passou a ir, duas ou três vezes por semana à minha casa, em torno de 20 horas, para aprender gramática e “filar a bóia”, por não ter quem cozinhasse para ele, ainda.

 

Na sua segunda visita à minha casa, me perguntou: qual é meu nome?

 

- Respondi: Gutman.

 

“Você sabe o que quer dizer Gutman, em alemão”? – Sei. Homem bom.

 

Ocorreu um fato que me levou a ser, daí para frente, o grande amigo do Padre Guilherme, até sua morte em Aracruz, de câncer. O que foi possível, fiz para ajudá-lo. Ele me ensinava o be a bá em alemão e me chamava para ajudar na missa, ser “coroinha”, onde comia muita hóstia e bebia seu vinho...

 

A cidade se preparava para receber a visita de D. Luiz Scortegagna, o Bispo Diocesiano de Vitória. Naquela arrumação da igreja, onde eu e outros meninos ajudava até a lavar as calçadas, Padre Guilherme me perguntou: “Gutman, você é batizado? Respondi que não. Você conhece aquela senhora, ali? – Conheço, é D. Aldemária, minha professora! ” Chamou D. Aldemária e disse-lhe, que ela e seu marido, Wilson Magalhães, iam ser meus padrinhos de batismo, e ele, de crisma, D. Aldemária ficou perplexa. “Não posso, o pai dele, o professor Mesquita Neto é ateu e não vai gostar. Deu de ombros.

 

Era meio turrão, e respondeu: “Pode deixar, eu trato de falar com o pai dele.

 

Mais tarde, o padre pediu que eu viesse à missa do dia seguinte, um domingo, às 9 horas uma roupinha bonita.

 

Na verdade, eu não sabia o que ia acontecer. Minha mãe me enfeitou para ir à missa a convite do Padre Guilherme, embora ela nunca tivesse ido a uma missa, como meus irmãos.

 

Na hora aprazada, ao meio de uma penca de meninos, fui batizado e crismado, num ato coletivo...

 

Semana seguinte, o Padre Guilherme voltou às aulas de gramática com meu pai e, ao cumprimentá-lo, falou: “Boa noite compadre. ”

 

Meu pai respondeu-lhe, - Boa noite vá lá! Compadre? - Sim, compadre, porque crismei seu filho e chamei a professora Aldemária e o Sr. Wilson para serem os padrinhos. Agora, somos compadres.

 

Meu pai, de pronto respondeu: ” Grandes merdas, vocês fizeram”. E foram se sentar à mesa para a aula de gramática.

 

No arrumar minhas coisas antigas, me deparei com a biografia do Monsenhor Guilherme Schmitz, escrita pela professora Clarice Miranda Soares Fontenele, de Aracruz, que me pediu para fazer um depoimento sobre o seu escrito, que fiz e que segue abaixo:

 

“ À memória de um lutador

 

Ainda menino, no meu velho São Mateus, conheci uma das mais impressionantes figuras do meu tempo, o padre Guilherme Schmitz. Isso foi lá por volta de 1937. O então menino, filho de um professor reconhecidamente ateu, passou a ser amigo do novo padre que acabara de chegar à cidade e, por uma dessas ironias da vida, foi por ele batizado, tendo como padrinhos: Wilson Magalhães e sua esposa Aldemária Magalhães e, finalmente, crismado pelo bispo D. Luiz Scortegagna, sendo padrinhos, padre Guilherme Schmitz.

 

A vida do padre Guilherme foi uma impressionante epopeia. Afável, educado, de um coração maior do que o corpo, foi aprender a fundo o português para poder abrir um colégio, o primeiro chamado curso secundário do município, o ginásio São Mateus, em colaboração com a companhia de educandários gratuitos, sob o comando de Christiano Dias Lopes Filho, hoje, Escolas da Comunidade.  (E nem sei se existe mais. Os idealistas morreram).

 

Preso em 1941, como “espião nazista”: padre Guilherme foi libertado pela ação firme de Mesquita Neto, que protestou contra o absurdo que se praticava contra um homem a quem a sociedade tinha como seu grande benfeitor, sendo obrigado a responder por qualquer ato que por ventura viesse a ser praticado contra o estado por aquele a quem apontavam como um espião do nazismo.

 

Padre Guilherme, na missa da manhã do domingo seguinte, quando foi libertado, proferiu um dos mais belos sermões que assisti em toda minha vida, contra a iniquidade, ressaltando: “Sou alemão no sangue, mas brasileiro no coração. Aqui encontrei a paz, aqui é a minha terra”.

 

Pouco tempo depois, esse homem raro, por essas perseguições que residem até no seio da igreja católica, sob a pressão de um bispo da congregação comboniana, tirou-o de São Mateus, cometendo-se contra ele uma grande indignidade.

 

São Mateus sabe hoje o preço que paga pela saída do Monsenhor Guilherme Schmitz , falecido em 02 de janeiro de 1983.

 

Gutman Uchôa de Mendonça

Afilhado – 10/2000

 

(Mensagem dedicada ao Monsenhor, exclusiva para este trabalho)"                                    

 

 

 

 


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Sonhos, nada mais.

17/12/2021

 

Os dados oficiais atestam: de 10 empresas brasileiras, 7 estão em graves dificuldades.

 

Participei do secretariado do então Governador Christiano Dias Lopes Filho, que assumiu o Governo do Estado num dos momentos mais difíceis da economia nacional, foi logo após o Movimento Militar de 1964. Sem favor nenhum, o melhor governador da história capixaba.

 

Quando assumiu o Governo das mãos de um governador de mandato complementar a um corrupto que foi mandado embora pelos militares, o Sr. Rubens Rangel entregou ao Governador Christiano o “retrato” da tragédia econômica. Era um estado falido, roído pela corrupção.

 

Na época, funcionava o IVC – Imposto de vendas e consignação, de 7% sobre as operações comerciais. Hoje, o contribuinte paga até 37%.

 

Nas madrugadas que enfrentávamos os números em companhia de Aureliano Hoffmann, contador geral do Estado, Áureo Antunes, Diretor da Despesa Pública e Eduartino Silva, Diretor da Receita, o general Adir Maia, secretário da Fazenda, auxiliado por Rubens Vieira de Oliveira tentavam explicar o tamanho do “buraco”. O Estado estava irremediavelmente insolvente.

 

O jeito, era aumentar os impostos. “Como? ” - Indagava Christiano -, se o estado está falido e o empresário arruinado, sem poder pagar os impostos?

 

Foi uma luta tremenda, mas Christiano venceu, graças aos esforços de muitos auxiliares, fechando os olhos e mandando embora o que existia de velhacos, ladrões e proxenetas de aluguel, para casa.

 

Hoje, após a pandemia do coronavirus, 7 em cada 10 empresas estão falidas, não podem saldar suas dívidas, e o Governo arranca-lhes o couro. Não tem empresa – grande ou pequena – que suporte o massacre arrecadados. Fala-se em “auxílio” do Governo (empréstimo), mas o empresário é devedor e não pode recorrer a bancos.

 

Não tem jeito. Obras paradas, dinheiro saindo pelos ralos com obras inúteis, sem um planejamento, sem um interesse social, nada. Quem defende o empresário do comércio, a mola propulsora do desenvolvimento?

 

Essa tragédia empresarial que assistimos veio com um despacho de um juiz federal de Belo Horizonte, Carlos Alberto Simões de Tomaz, já há algum tempo, ao determinar a soltura de um ambulante por vender cerveja sem autorização.

 

“Determino a imediata soltura de José Cleuto de Oliveira de Almeida, porque não há causa justa para a manutenção de sua prisão.

 

“Efetivamente, o custodiado está a ganhar seu pão, enquanto os bandidos deste país que deveriam estar presos, estão soltos, dando golpes na Democracia.

 

“Expeça-se o alvará de soltura.

 

“Cumpre-se”

 

Ainda tem juiz sério.

 

Já tivemos governadores excelentes.

 

Hoje...

 

 

 

 

 

 


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