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Casa de putas.

23/02/2021

 

Em toda regra, existem exceções, mas, de um modo geral, grosseiro, admito, o Brasil se assemelha a uma casa de putas, manobradas por refinados sacanas, como sempre se disse, ao longo da nossa história política.

 

A internet, com suas impressionantes redes sociais surgiram para o bem e para o mal. Nunca imaginamos que nossos escândalos, nossos malfeitos viessem à mostra de maneira tão rude, tão escandalosa.

 

Nada me faz pegar instituições, grupos de pessoas e rotulá-los, abruptamente, sem uma avaliação de certas personalidades que ali estão, embora numa parcela diminuta, para o bem.

 

Temos hoje, como ontem, no sistema político nacional a nossa Suprema Corte de Justiça (conhecida como STF – Supremo Tribunal Federal) o que nos ensinaram como guardiã da Constituição, mercê da sabedoria de uns integrantes. Não sei do porquê, cargas d’água as coisas ali transformaram num antro de politicagem, um imenso balcão de negócios de impressionante envergadura imoral, pelo que a velha e carcomida fala e, com mais clareza, as redes sociais.

 

Tivemos recente o episódio do deputado federal Daniel Silveira – PFL-RJ, preso por injúria e ameaças a ministros da Suprema Corte, o que pode levar a nação a uma ruptura do seu avacalhado sistema político-administrativo, pelo rompimento do “almejado” sistema hierárquico de separação entre os poderes republicanos.

 

Há uma forte corrente que apoia uma intervenção dura das Forças Armadas, objetivando uma espécie de colocação de vagões descarrilhados, de um comboio, nos seus trilhos. Outra corrente, com justificadas razões, tem medo que no chamado concerto das nações, fiquem o mal perante o mundo como nação insegura para realização de negócios, embora reconheçamos que hoje, nação nenhuma esteja totalmente segura de sua forma administrativa, como a França, Alemanha, Espanha, Itália, vagabundas republiquetas latino-americanas e africanas e, mais recente, os Estados Unidos da América com seu sistema eleitoral podre, viciado.

 

Na verdade, abaixo ou acima da linha do Equador, nada anda certo, existem as verdadeiras casas de putas, manobradas por refinados sacanas, com governos, sistema dirigente, atolados em negociatas até as orelhas e, digno de registro, uma empresa brasileira, Odebrecht se transformou em sinônimo de corrupção.

 

Quando assisto estranhas decisões monocráticas das mais surpreendentes pelos nossos “supremos” ministros, outras praticadas pelo nosso Congresso Nacional, por governantes e prefeitos, de forma generalizada, entendo que só existe uma fórmula de se acabar com tudo isso de uma vez por todas: uma poderosa intervenção militar, mas está faltando coragem, dos que detêm as Forças Armadas.

 

Lamentavelmente...

 

 

 

 

 


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Maycon e o po doce.

22/02/2021

 

Não é falta de assunto, mas a política nacional está causando tanto nojo que e, para refrescar a memória do leitor, mudamos para um assunto diametralmente diferente, para que as pessoas sintam que, lá fora da política, um mundo diferente existe.

 

Num final de tarde, quase 18 horas de terça feira, do carnaval que não houve, andando na minha propriedade, me deparei com o empregado José Roberto de Oliveira de cócoras, quase ajoelhado, próximo a um monte de terra, quando lhe perguntei se estava rezando. Levantou-se, ao me ver aproximar, revelou: “Perdi todas minhas chaves”. Admiti que mandasse fazer outras, mas viu que se metera numa grande enrascada.

 

Quando a noite chegou, de longe surgiu um carro, vindo dos lados da destilaria, quando o filho mais novo, Franz, perguntou o que fazíamos ali, com a participação, também, do Celso, quando relatei que o Roberto estava com a cuca quente, porque perdera todas suas chaves. Tirando a mão direita que trazia escondida às costas, Franz levantou uma penca de chaves, perguntando: “São estas? ”. Todas aflições do Roberto tiveram fim ali e a conversa degenerou-se para quem tinha perdido chaves que jamais foram recuperadas e, outras coisas, em episódios interessantes.

 

Quando Guarapari está sem agitação, costumo, no final da tarde, ir ao supermercado fazer compras e trazer o pão, para o lanche. Há muitos anos tinha um empregado alemão, família Franzhous, com o menino caçula, muito vivo, interessante e inteligente para sua idade, uns cinco anos, o Maycon. Chegando na portaria, saltei do carro, retornando rápido, pois não encontrara no bolso as minhas chaves, dentre as quais, a do portão. Vendo minha aflição, aproximou-se o Maycon, com toda sua inocência de seus cinco anos e perguntou: “Vovô, você está procurando o quê? ” Respondi que não encontrava minhas chaves, quando ele puxou a mão que mantinha atrás das costas, perguntando: “É isto que você procura? ”

 

Fiquei aliviado com o achado do menino que fora ensinado pelos pais a me chamarem de avô e, enquanto recebia as chaves, metia a mão no bolso para dar uns trocados ao Maycon, mas ele recusou: “Não precisa não. Você traz um pão doce para mim, daqueles grandes”, quando aquiesci que o faria, correndo ele para dentro de casa, muito contente.

 

No retorno do supermercado, ao abrir o cadeado do portão, o Maycon, há 10 passos de mim, indagou: “Trouxe o pão? ”, afirmei que sim e peguei o embrulho, entregando a ele, que voltou correndo para sua casa.

 

Sábado seguinte, quando ia abrir o portão, para ir ao supermercado, fui advertido pelo Maycon, que estava ali, de sentinela: “Você, traz o pão para mim? ”. Aquiesci para o Maycon que sim e, assim, sucessivamente, no período que a família morou na minha propriedade, Maycon já era um menino bem crescido, invariavelmente ia pegar o pão, no meu retorno, com minha mulher, da padaria, onde nos divertíamos com a figura do garoto que balançou um dia um molho de chaves perguntando se era aquilo que eu estava procurando., sendo presenteado com um pão doce por muito tempo. Saudades do Maycon.

 

Roberto mora na casa onde morava a família Franzhous.

 

 

 


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