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Sem explicação aparente

23/03/2018

NOTA– Você vai ler um comentário independente, sem enganos, sem mentiras. Se Você entender que não deva prosseguir com sua leitura, delete-o. Nunca suporte o que não gosta. Se não ler, vai perder a oportunidade de conhecer a verdade.

 

Acho meio cedo, prematuro, expressar comentários a respeito da morte trágica da vereadora do PSOL, Rio de Janeiro, Marielle Franco, na madrugada do dia 4 de março, metralhada no interior do seu veículo, junto com um motorista.

Milhares de pessoas morrem assassinadas diariamente no Brasil, mas não se esperava que a morte da vereadora pudesse ocasionar tamanho estardalhaço, através das mídias, impressa e eletrônica, enquanto as redes sociais, espalhavam vídeos com pronunciamentos da vereadora, dando uma espécie de indicativo para sua personalidade forte, acostumada a pronunciamentos exaltados, denunciando ações policiais nas favelas, como a do salgueiro, no Rio de Janeiro, onde bandidos, fortemente armados foram mortos em ação policial.

Marielle não poupou a Polícia Militar em nenhum momento mas, afirmar-se que sua morte teria sido por este ou aquele motivo, vai uma distância muito grande e o correto é apurar-se com muita isenção os acontecimentos, para apontar culpados.

Estamos vivendo instantes difíceis na nação brasileira. O país foi tomado numa espécie de assalto por grupos marginais capazes de tudo, até de inviabilizar a intervenção militar no Rio de Janeiro, porque ela se concentra nas favelas onde estão os focos de marginais que ali se instalaram a partir da década de 70/80 e se transformaram num câncer difícil de ser extirpado, sem ocasionar muitas e muitas mortes.

Pode ser que a vereadora Marielle Franco seja uma das vítimas dessa violência que estamos falando. Teria sido contaminada depois de assistir um mundo de tragédias sem poder solucioná-las, como seria do seu intento, sendo tragada pelos acontecimentos.

Seus pronunciamentos inflamados, na Câmara dos Vereadores, a troca de acusações mútuas com seus pares, sempre dispostos ao bate-boca desconstrutivo, acirrava os ânimos, porque todos perderam a noção do diálogo, do entendimento.

Talvez a morte de Mariella Franco seja um novo despertar, uma forma de repensar numa situação que, nos parece, sem jeito. Antes que morra muita gente, trucidada como a vereadora, é preciso que se encontre uma forma de mediar as forças em conflito, que são muitas, porque existem bandidos de várias facções à solta nas favelas do Rio de Janeiro e, a impressão que tenho, se não ocorrer muitas mortes, nada resolverá.

 


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O rei da agulha

22/03/2018

NOTA– Você vai ler um comentário independente, sem enganos, sem mentiras. Se Você entender que não deva prosseguir com sua leitura, delete-o. Nunca suporte o que não gosta. Se não ler, vai perder a oportunidade de conhecer a verdade.

 

Faz tanto tempo, sei lá! Tem mais de 50 anos que conheço o então jovem e concorrido alfaiate, o melhor do Estado, diziam, tinha um corte inimitável, seus ternos vestiam como uma luva. Fui dar com os costados no atelier do famoso Juarez De Martin (De Martin como assina e gosta de ser chamado).

O tempo passou. À proporção das necessidades, de um novo terno, porque os outros estavam apertados, ou um casaco para ir curtir o frio espanhol, passava pelas mãos do famoso De Martin, até em datas recentes e, quase, estou precisando fazer-lhe uma nova visita...

De Martin me vem à memória num instante em que prolifera a falta de mão de obra especializada no Brasil. Mestre da agulha, ensinou a muitos o seu ofício, o que faz com maestria.

Um velho sábio me ensinou algo interessante e que preservo firmemente, passei para meus filhos e para uns jovens que tenho custeado os estudos: “Quando tiver que realizar um trabalho, faça-o bem feito, sem copiar de ninguém. Coloque sua determinação, sua coragem. Só assim você vencerá com amor e dedicação ao que faz”.

Nas minhas idas e vindas ao atelier do amigo De Martin ficava absorto, vendo-o trabalhar com a tesoura, marcando com precisão, com sua pedra de giz o pano caro do freguês que confiava no seu trabalho, na sua agulha, na fiel máquina de costura.

Foi através do talhe perfeito que De Martin conquistou fregueses importantes. Certa feita o governador Christiano Dias Lopes perguntou quem costurava para mim. “Já ouvi falar desse moço. Traga-o para mim. ” Passou a ser a alfaiate do governador, até depois que saiu do governo.

Conheço um mestre de obras que aprendeu o ofício vendo seu irmão trabalhar. Era o ajudante do Pedro, seu irmão e, “seu” Pedrinho e os demais filhos o acompanhavam, mas ninguém esperava que Flávio Kroling seria um misto de pedreiro, mestre de obra, encanador, marceneiro, eletricista, um verdadeiro faz tudo, com uma perfeição tão grande que, quem não o conhece, não acredita o que ele é capaz.

 

De Martin é um exemplo de mestre de todos alfaiates. Não existe quem tenha mais habilidade na tesoura e na agulha. Simples, decente, de uma precisão germânica no cumprimento da palavra empenhada, com todo esmero que lhe é peculiar.

Exemplos como os de De Martin precisam ser preservados, estimulados. O Brasil tem, na extraordinária maioria de sua sociedade, em numerosas profissões, gente da melhor qualidade, obscurecida por certo tipo de gente que emporcalha a nação.

 

 


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