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A greve dos caminhoneiros

03/06/2018

 

O Brasil, esse imenso gigante de proporções territoriais continentais, passa um momento de terríveis aflições, nas mãos de uma classe política perdulária e cruel, que seu povo, a sociedade como um todo, repudia, pelo tratamento adverso que recebe dela.

Prevista há algum tempo a greve dos caminhoneiros, que começou na quarta semana de maio, teve como responsável 107 aumentos sucessivos nos preços do óleo diesel, nos últimos 10 meses, regulado à proporção que era anunciado o aumento do dólar no mercado paralelo.

A adesão dos caminhoneiros de todo o país pegou de calças nos joelhos um governo de irresponsáveis. Temos os combustíveis mais caros do mundo, fruto de uma carga tributária imoral e um privilégio inconsequente, com a distribuição de royalties com estados e municípios mal e porcamente governados que, não sabendo o que fazer com o dinheiro que lhe chega às mãos de poucos escrúpulos, se perde pelo meio dos dedos na contratação de artistas para espetáculos públicos através de contratos duvidosos, numa das mais indecente falta de responsabilidade administrativa.

Mesmo com as pressões sociais, causadas pelo desabastecimento em função da “parede” dos caminhoneiros, ainda não se sabe como o país chegará ao final dos seis meses de desgoverno de Michel Temer, quando se ouviu ecoar vozes de militares afirmando que nenhum político no poder do país merecia confiança, porque todos foram eleitos com recursos de corrupção administrativa, o que é uma verdade, diante dos fatos levantados através do famoso processo Lava-jato, que transformou o juiz federal Sérgio Moro em ídolo nacional, pela seriedade na condução da apuração dos delitos produzidos por uma gama de políticos e empresários dos mais vergonhosos quilates na arte de roubar os cofres públicos, que já levou um ex-presidente da República à prisão, e pode levar outros...

A greve dos caminhoneiros, e lastimável? É. Foi um alerta necessário? Foi. Doeu muito na sociedade? Doeu. Deveria doer mais? Deveria, se fosse mais organizada, se visasse apenas a interrupção da passagem dos combustíveis, selecionando a passagem dos alimentos, principalmente perecíveis.

Não é bom nos intrometermos como adivinhos de uma situação que não se sabe como terminará. Existem muitas providências para contentar os caminhoneiros e separar de seus meios os políticos que gostam de terrorismo. Para tanto, temos a eficiência de uma Policia Federal. Falta ao Brasil passar por uma grande trauma. Ainda não foi desta vez. Pode ser a próxima.

 


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Bom senso e imbecilidade

02/06/2018

 

Chrisógono Teixeira da Cruz, até hoje, tem sido considerado um dos melhores prefeitos da nossa Capital, sem nenhum demérito para outros que por aqui têm passado, como o sr. Luciano Rezende, que tem colocado sua capacidade inventiva e seriedade em favor do desenvolvimento da capital do Estado.

Uma das características do engenheiro Chrisógono era o silêncio, sua maneira de fazer as coisas sem estardalhaço. Numa desapropriação de um terreno onde tinha um prédio velho, para abrir mais espaço para a Praça Costa Pereira, os sábios entendidos em urbanismo criticaram sua medida. Ligeiro, ele virou para os críticos e disse que eles confundiam coisa velha com coisa antiga e enumerou os prédios que mereciam ser preservados, na capital.

Sou bastante familiarizado com a Espanha, por vários motivos, primeiro porque gosto demais do país e do seu povo. É impressionante como se preserva a arquitetura antiga no país ibérico. Qualquer cidade, ostenta ruas de uma impressionante singularidade, com seus museus, suas lojas de um aprumo invejável. Aqui no Brasil, onde existem os casarios velhos ou antigos, a primeira coisa que as prefeituras exigem é mictório para deficientes físicos, rampas de acesso, alargamento de portas, um negócio impossível de ser cumprido.

Em Dresdem, na Alemanha, um amigo convidou-nos a almoçar num dos restaurantes mais antigos, que não fora atingido pelo bombardeio criminoso que matou uma impressionante juventude ali colocada como área neutra – Cidade Aberta – que não poderia ser bombardeada. O prédio do restaurante é uma beleza, de pedra e não tem acessibilidade para cadeirantes. Coincidentemente, chegou um portador de deficiência. Um empregado do restaurante foi lá dentro e veio com duas lâminas estilo um grande esqui aquático, colocando-o como rampa para vencer os três degraus. Tirei a foto que consta dos meus álbuns de viagem. Fosse aqui no Brasil, na nossa ilha, principalmente, destruiriam os degraus do prédio para construir uma rampa de acesso. Uma mutilação criminosa.

Uma vez na vida outra na morte aparece um deficiente para almoçar no restaurante de Dresdem, mas aqui, ou o dono construiria a rampa de acesso ou seria obrigado a fechar o restaurante.

Uma senhora me contou que na sua escola de Yoga, que funcionava na Praia do Canto, foi obrigada pela brilhante fiscalização municipal para construir uma rampa de acessibilidade para cadeirante. A professora informou que cadeirante não fazia aulas de Yoga. Multaram-na, pela falta da obra. Preferiu fechar a escola. Que país imbecil é esse, em que vivemos?

 

 


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